Neste artigo
  1. O argumento de Smil: por que esses quatro?
  2. Amônia — o fertilizante que alimenta metade da humanidade
  3. Concreto — o material mais consumido depois da água
  4. Aço — a espinha dorsal da infraestrutura moderna
  5. Plástico — a matéria-prima mais versátil e mais problemática
  6. Quadro comparativo: os 4 pilares lado a lado
  7. Por que é tão difícil descarbonizar esses setores?
  8. O que isso significa para o Brasil e para o mundo

Em seu livro How the World Really Works (2022), Vaclav Smil — físico tcheco-canadense e um dos analistas de energia mais rigorosos do mundo — faz uma observação que desafia o discurso dominante da transição energética: a civilização moderna não repousa sobre chips de silício, inteligência artificial ou painéis solares. Ela repousa sobre quatro materiais fundamentais: amônia, concreto, aço e plástico.

Sem amônia, metade da população mundial não teria o que comer. Sem concreto, não haveria cidades, represas ou estradas. Sem aço, não existiriam arranha-céus, pontes, navios ou turbinas eólicas. Sem plástico, a medicina moderna, a eletrônica e a embalagem de alimentos seriam impossíveis. E todos os quatro dependem, em maior ou menor grau, de combustíveis fósseis — não apenas como fonte de energia, mas como matéria-prima química insubstituível.

Este artigo analisa cada um desses pilares com dados reais e verificados: quem produz, quem consome, quanto CO₂ emite, e por que substituí-los é muito mais difícil do que substituir a gasolina de um carro por eletricidade.

185 Mt
amônia produzida/ano (2024)
USGS / IndexBox
4,1 bi t
concreto (cimento) produzido/ano
USGS 2023
1,89 bi t
aço bruto produzido/ano (2024)
World Steel Association
460 Mt
plástico produzido/ano (2023)
PlasticsEurope
~7 Gt
CO₂ total dos 4 pilares/ano
estimativa consolidada
~15%
da energia global consumida
pelos 4 setores juntos
Produção Global dos 4 Pilares Materiais (2023/2024)
Fontes: USGS Mineral Commodity Summaries 2024 | World Steel Association 2025 | PlasticsEurope 2024 | IndexBox 2024

① Amônia — o fertilizante que alimenta metade da humanidade

O que é e para que serve

A amônia (NH₃) é um gás incolor produzido pela reação de nitrogênio atmosférico com hidrogênio. Sintetizada industrialmente pelo processo Haber-Bosch desde 1913, é a base de quase toda a cadeia de fertilizantes nitrogenados — ureia, nitrato de amônio, fosfato diamônico (DAP) e NPK. Cerca de 80% da amônia produzida no mundo vai para a agricultura. Os 20% restantes entram em plásticos, explosivos, refrigeração, têxteis sintéticos e produtos farmacêuticos.

A frase de Smil: "A amônia sintética sustenta a existência de pelo menos metade da humanidade." — Enriching the Earth, 2001. Estima-se que cerca de 50% do nitrogênio presente no corpo humano hoje passou pelo processo Haber-Bosch.

Produção global: quem domina

Em 2023, a produção global de amônia foi estimada em 150 milhões de toneladas métricas. A China liderou com aproximadamente 43 milhões de toneladas, seguida por Rússia, Estados Unidos e Índia, cada um com cerca de 14 milhões de toneladas. Considerando a capacidade instalada total, as instalações de produção estão concentradas na China (29%), Índia (9,5%), EUA (9,5%), Rússia (9,5%), Indonésia (4%), Irã (2,9%), Egito (2,7%) e Arábia Saudita (2,7%).

País Produção 2023 (Mt) % global Matéria-prima principal Intensidade de carbono
🇨🇳 China4329%Carvão (85%)Alta — 3,5–4,5 tCO₂/t NH₃
🇷🇺 Rússia149,5%Gás naturalModerada — 1,5–1,8 tCO₂/t NH₃
🇺🇸 EUA149,5%Gás naturalModerada — 1,5–1,8 tCO₂/t NH₃
🇮🇳 Índia149,5%Gás natural / carvãoModerada-Alta
🇮🇩 Indonésia64%Gás naturalModerada
Resto do mundo5939%VariadaVariada
TOTAL GLOBAL~150100%Média: ~2,4 tCO₂/t NH₃

Os maiores importadores são Marrocos (3 Mt), Índia (2,5 Mt), Estados Unidos (2,1 Mt) e Coreia do Sul (1,7 Mt), juntos respondendo por 50% do total importado em 2024.

Consumo de energia e emissões

O processo Haber-Bosch opera a 400–500°C e 100–200 atm. É energeticamente intenso: a produção de amônia consome cerca de 2% da energia total usada pela humanidade por ano (35–50 GJ por tonelada de amônia) e emite mais de 420 milhões de toneladas de CO₂ anualmente.

A intensidade de carbono varia dramaticamente pela matéria-prima: a China produz cerca de 85% de sua amônia a partir de carvão, o que resulta em 3,5 a 4,5 toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de amônia — mais que o dobro de uma planta a gás natural moderna. Uma planta Haber-Bosch moderna e otimizada alimentada com metano emite em torno de 1,5 a 1,6 toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de amônia produzida.

Rota de produçãoEnergia (GJ/t NH₃)CO₂ (tCO₂/t NH₃)% da produção global
Carvão + Haber-Bosch (China)40–503,5–4,5~29%
Gás natural + Haber-Bosch (SMR)28–361,5–1,8~67%
Eletricidade renovável + Haber-Bosch38–600,1–0,5<1%
Média global ponderada~36~2,4100%

Combinada com a energia necessária para produzir hidrogênio e nitrogênio atmosférico purificado, a produção de amônia responde por 1–2% do consumo global de energia, 3% das emissões globais de carbono e 3–5% do consumo global de gás natural.

A amônia verde existe, mas é cara. Produzida por eletrólise da água com energia renovável, ela emite apenas 0,1–0,5 tCO₂/t NH₃ — até 30 vezes menos que a rota a carvão. O problema é o custo: 2 a 3 vezes mais caro que a amônia convencional. Sem precificação de carbono, a amônia cinza sempre vence no mercado. O custo do hidrogênio verde — insumo essencial da amônia verde — é analisado em detalhe no artigo sobre LCOH no Brasil e no mundo.

② Concreto — o material mais consumido depois da água

O que é e por que é onipresente

O concreto é uma mistura de cimento Portland (ligante), água, areia e brita. O cimento é produzido pela calcinação do calcário (CaCO₃) a aproximadamente 1.450°C — uma reação que libera CO₂ tanto pela queima de combustível quanto pela decomposição química do carbonato. Essa dupla origem das emissões é o que torna o cimento particularmente difícil de descarbonizar.

O concreto é o segundo material mais consumido no mundo, atrás apenas da água. Está em edifícios, pontes, represas, estradas, fundações, dutos e portos. Sem ele, não existem metrôs, usinas hidrelétricas ou infraestrutura de saneamento.

Produção global: dominância asiática

Mais de quatro bilhões de toneladas métricas de cimento são atualmente produzidas mundialmente a cada ano. A produção de cimento na China mais que triplicou entre 2000 e 2023, chegando a cerca de dois bilhões de toneladas métricas por ano, tornando o país o maior produtor mundial de cimento por uma grande margem.

Produção Global de Cimento por País (2023)
Fonte: USGS Mineral Commodity Summaries 2024 | Unidade: milhões de toneladas métricas
País / Região Produção 2023 (Mt) % global CO₂ cimento (MtCO₂) Principais empresas
🇨🇳 China~2.00051%718CNBM, Anhui Conch, Tianshan
🇮🇳 Índia~41010%177UltraTech, Shree Cement, ACC
🇻🇳 Vietnã~1102,7%~40Vicem, Xuân Thành
🇺🇸 EUA912,3%~35LafargeHolcim, Vulcan Materials
🇧🇷 Brasil~701,7%~25Votorantim, InterCement, CSN
🇩🇪 Alemanha / UE~1804,3%~65Heidelberg, Holcim, Cemex
TOTAL GLOBAL~4.100100%~1.560

Emissões: o problema duplo do cimento

As emissões globais da fabricação de cimento chegaram a 1,56 bilhão de toneladas de CO₂ em 2023. As emissões da produção de cimento aumentaram massivamente desde os anos 1960 e mais que dobraram desde a virada do século.

A origem das emissões é singular: aproximadamente 50% vem da decomposição química do calcário (CaCO₃ → CaO + CO₂), 40% da queima de combustível para aquecer os fornos, 5% da eletricidade e 5% do transporte. A metade química não pode ser eliminada por simples substituição de combustível — ela é inerente à reação. Isso torna o cimento um dos materiais mais difíceis de descarbonizar.

China responde por 46% das emissões globais de cimento. Em 2023, a indústria de cimento chinesa lançou 718 milhões de toneladas métricas de CO₂ na atmosfera — aproximadamente cinco vezes mais do que as emissões produzidas pela Índia. O pico do boom imobiliário chinês (2000–2020) consumiu mais cimento do que os EUA em todo o século XX. Dados completos do Global Carbon Project estão disponíveis em globalcarbonproject.org.

③ Aço — a espinha dorsal da infraestrutura moderna

O que é e por que não tem substituto

O aço é uma liga de ferro e carbono (0,02–2,1% de carbono), com propriedades mecânicas ajustáveis por tratamento térmico e adição de elementos de liga (manganês, cromo, níquel, molibdênio). É o material estrutural por excelência: está em prédios, pontes, automóveis, navios, trilhos, turbinas eólicas, painéis solares (estrutura metálica), eletrodomésticos e embalagens.

Smil observa que a turbina eólica que deveria "substituir" o petróleo é feita de aço e cimento — e que a transição energética é, ela mesma, uma das maiores consumidoras de aço da história.

Produção global: China lidera com folga

Em 2024, a China produziu 1.005 Mt de aço bruto, seguida por Índia com 149 Mt, Japão com 84 Mt e Estados Unidos com 79,5 Mt. O setor se concentra dramaticamente: China, Índia, Japão, EUA e Rússia juntos respondem por mais de 70% da produção mundial.

Produção de Aço Bruto por País (2024)
Fonte: World Steel Association — World Steel in Figures 2025 | Unidade: milhões de toneladas métricas

Emissões: 7–8% do total global

Em 2024, em média, cada tonelada de aço produzida levou à emissão de 2,18 toneladas de CO₂e (escopos 1, 2 e 3). No mesmo ano, 1.886 milhões de toneladas de aço foram produzidas, e as emissões totais do setor foram da ordem de 4,1 bilhões de toneladas de CO₂e — representando 7–8% das emissões antropogênicas globais de GEE.

A intensidade de carbono depende radicalmente da rota tecnológica:

Rota de produção CO₂ por tonelada % da produção global Matéria-prima principal
Alto-forno + Conversor LD (BF-BOF)2,33 tCO₂/t~70%Minério de ferro + coque
Forno a arco elétrico com sucata (Scrap-EAF)0,68 tCO₂/t~25%Sucata de aço
DRI + Forno elétrico (DRI-EAF)~1,0 tCO₂/t~5%Minério + gás natural / H₂
Média global (World Steel 2023)1,92 tCO₂/t100%

Cada tonelada de sucata de aço usada evita a emissão de 1,5 tonelada de CO₂ e evita o consumo de 1,4 tonelada de minério de ferro, 740 kg de carvão e 120 kg de calcário. O EAF com sucata é a rota mais limpa disponível em escala — mas depende de disponibilidade de sucata, que é escassa em países com produção em expansão.

O aço verde existe em escala piloto. A SSAB (Suécia), com o projeto HYBRIT, produz aço usando hidrogênio verde no lugar do coque de carvão — reduzindo as emissões em 95%. O custo é ~30–40% maior que o aço convencional. O setor do aço não está no caminho para atingir zero líquido até meados do século, com emissões totais ainda crescendo e menos de 1 Mt de aço de baixíssima emissão sendo produzido atualmente. Dados completos em worldsteel.org/climate-action. A relação entre o aço e a densidade energética da transição é explorada em outro artigo do blog.

④ Plástico — a matéria-prima mais versátil e mais problemática

O que é e por que proliferou

Plásticos são polímeros sintéticos derivados majoritariamente de petróleo e gás natural. Os principais tipos são polietileno (PE), polipropileno (PP), PVC, poliestireno (PS) e PET — cada um com propriedades e aplicações distintas. A leveza, durabilidade, impermeabilidade e baixo custo tornaram o plástico o material preferido para embalagens (40% de todo o plástico produzido), construção (20%) e setor automotivo (10%).

Smil observa que o plástico é o único dos quatro materiais que não tem função estrutural primária na civilização — mas é o mais difuso, entrando em praticamente todos os produtos industriais modernos.

Produção global: crescimento ininterrupto desde 1950

A produção anual global de plásticos mais que dobrou, passando de 234 Mt em 2000 para 460 Mt em 2019 — e o resíduo plástico mais que dobrou, de 156 Mt para 353 Mt no mesmo período. Em 2023, a produção chegou a aproximadamente 460 Mt (PlasticsEurope). A Ásia responde por mais de 50% da produção global, com China dominando.

Produção Global de Plástico: Crescimento Histórico (1950–2023)
Fontes: Geyer et al. (2017); OECD Global Plastics Outlook (2022); PlasticsEurope (2024)

O problema das emissões e do descarte

Os plásticos têm uma pegada de carbono significativa, contribuindo com 3,4% das emissões globais de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida. Em 2019, os plásticos geraram 1,8 bilhão de toneladas de emissões de GEE, com 90% provenientes de sua produção e conversão a partir de combustíveis fósseis. O relatório completo está disponível em OECD Global Plastics Outlook.

O problema do descarte é igualmente grave. De todo o plástico produzido até 2015, aproximadamente 9% havia sido reciclado, 12% foi incinerado e 79% acumulou-se em aterros ou no ambiente natural. E a situação não melhorou muito: apenas 9% do plástico que o mundo produz se transforma em um novo produto — e menos de 1% é reciclado mais de uma vez. Para entender como o consumo de plástico se conecta à matriz energética, veja o artigo sobre emissões de CO₂ do Brasil no contexto global.

País / Região Produção estimada (Mt/ano) % global Taxa de reciclagem Maior problema
🇨🇳 China~60–70~15%BaixaDescarte e contaminação oceânica
🇺🇸 EUA~50~11%5–9%Dependência de exportação de resíduo
🇩🇪 Alemanha~14~3%~46%Qualidade da reciclagem mecânica
🇰🇷 Coreia do Sul~10~2%>50%Exportação de plástico contaminado
🇧🇷 Brasil~8~2%<2%Aterramento e descarte irregular
🇮🇳 Índia~10~2%Muito baixa40% do resíduo não coletado
TOTAL GLOBAL~460100%~9%Poluição + carbono

Os 4 pilares lado a lado

Emissões de CO₂ dos 4 Pilares vs. Referências (2023/2024)
Fontes: World Steel Assoc. | Global Carbon Project | OECD | worldsteel.org | Valores em MtCO₂ ou GtCO₂ equivalente
Material Produção/ano Emissões CO₂/ano % emissões globais Energia/ton Principal produtor
Amônia ~185 Mt ~420 MtCO₂ ~1,5% 28–50 GJ/t China (29%)
Cimento ~4.100 Mt ~1.560 MtCO₂ ~4–5% 3–5 GJ/t China (51%)
Aço ~1.890 Mt ~4.100 MtCO₂e ~7–8% 21 GJ/t China (53%)
Plástico ~460 Mt ~1.800 MtCO₂e ~3–5% ~60–80 GJ/t China (~15–20%)
TOTAL 4 PILARES ~7,9 GtCO₂e ~18–20% China domina todos
Referência: setor de transportes global ~8 GtCO₂ ~20% IEA 2023

Por que é tão difícil descarbonizar esses setores?

A eletrificação de um carro é relativamente direta: o motor de combustão é substituído por motores elétricos, a gasolina por baterias. A descarbonização dos quatro pilares é estruturalmente diferente, por três razões fundamentais que Smil detalha:

1. Os fósseis não são só combustível — são matéria-prima

No processo Haber-Bosch, o gás natural fornece o hidrogênio para a reação química N₂ + 3H₂ → 2NH₃. Substituir o gás por hidrogênio verde eleva o custo 2–3 vezes — como detalhado no artigo sobre LCOH do hidrogênio verde. No coque de alto-forno, o carbono do carvão não apenas aquece o forno: ele reage com o minério de ferro (Fe₂O₃ + 3C → 2Fe + 3CO), sendo o agente redutor da reação. Substituí-lo por hidrogênio (a rota do aço verde) exige uma reestruturação completa do processo industrial.

No cimento, como visto, metade das emissões vem da reação química do calcário — não da queima de combustível. Mesmo que toda a energia do setor venha de fontes renováveis, 50% das emissões permanecem. Isso é radicalmente diferente do desafio da densidade energética na transição elétrica.

2. A escala é incompatível com a velocidade de transição

O Brasil produz 70 Mt de cimento por ano. Uma usina de cimento tem vida útil de 30–50 anos. Substituir o parque industrial global de cimento, aço e amônia no prazo de 20–30 anos exigiria um ritmo de investimento sem precedentes históricos. Quase 90 Mt de capacidade de novos altos-fornos de alta emissão estão planejados ou em construção antes de 2025 — ao mesmo tempo em que os projetos de aço de baixíssima emissão começam a surgir.

3. Os países em desenvolvimento precisam crescer — e crescer consome esses materiais

A demanda por cimento na África e Ásia será a maior de toda a história humana nas próximas décadas. As emissões de cimento nos países em desenvolvimento, excluindo a China, deverão atingir 1,4 a 3,8 Gt em 2050, comparadas a suas emissões anuais de 0,7 Gt em 2018. Um país que ainda está construindo sua infraestrutura básica — estradas, saneamento, hospitais, moradias — não pode simplesmente pular para materiais de baixo carbono que custam 30–50% a mais.

Participação da China na Produção Global dos 4 Pilares (%)
O controle chinês sobre a produção industrial de materiais básicos é o fato geopolítico mais subestimado da transição energética

O que isso significa para o Brasil e para o mundo

O Brasil ocupa uma posição interessante nesse quadro. É o maior produtor de aço da América Latina (Gerdau, Usiminas, CSN, Companhia Siderúrgica de Tubarão), o maior produtor de cimento da América do Sul (Votorantim), e um dos maiores mercados de plástico e fertilizantes do mundo. Para a amônia, o Brasil é importador líquido — e altamente dependente: cerca de 70% dos fertilizantes nitrogenados consumidos pela agricultura brasileira são importados, majoritariamente da Rússia e do Oriente Médio.

MaterialPosição do BrasilVolumeVulnerabilidade
Amônia / fertilizantesImportador líquido~6 Mt N/ano importadasAlta — ~70% dependência externa
CimentoProdutor relevante~70 Mt/anoBaixa — mercado doméstico
AçoExportador regional~34 Mt produzidosBaixa-Média (custos energéticos)
PlásticoProdutor e importador~8 Mt/anoMédia — feedstock fóssil

A dependência brasileira de fertilizantes importados foi dramaticamente exposta em 2022, quando a guerra na Ucrânia interrompeu o fornecimento russo. O Brasil importa anualmente o equivalente a bilhões de dólares em amônia e ureia — um nó de segurança alimentar que nenhum painel solar ou veículo elétrico consegue desatar. Para entender como as emissões da agropecuária se encaixam nesse quadro, veja o artigo sobre emissões e desmatamento no Brasil (SEEG) e o Plano Clima do Brasil. A relação entre o setor de transportes pesados e esse cenário é analisada no artigo sobre a frota de caminhões brasileira.

Conclusão: o que Smil nos ensina

Fontes e Referências