Formulário Completo
de Física
Todas as fórmulas do vestibular com teoria explicada — organizadas por área, com LaTeX renderizado, tabela de constantes e fórmulas matemáticas. O mesmo material da turma intensiva.
305 equações numeradas
18 áreas temáticas
Teoria por fórmula
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Cinemática
Descrição do movimento — posição, velocidade e aceleração
Grandeza Média vs. Instantânea
$$\bar{w} = \frac{\Delta z}{\Delta t} \qquad w_{inst} = \lim_{\Delta t \to 0} \frac{\Delta z}{\Delta t}$$
A grandeza média descreve o comportamento do sistema em um intervalo finito $\Delta t$. A grandeza instantânea é o limite dessa razão quando o intervalo tende a zero — é o que o ponteiro do velocímetro mostra num instante específico. No vestibular, a distinção aparece em gráficos: a grandeza média é a inclinação da secante; a instantânea é a inclinação da tangente.
Velocidade e Aceleração Médias
$$\vec{v}_{med} = \frac{\vec{d}}{\Delta t} \qquad \vec{a}_{med} = \frac{\Delta \vec{v}}{\Delta t}$$
A velocidade vetorial média é o deslocamento $\vec{d}$ dividido pelo tempo. Atenção: o módulo da velocidade média não é necessariamente igual à velocidade escalar média — isso só ocorre em movimento unidimensional sem inversão de sentido. A aceleração média mede a variação de velocidade por unidade de tempo.
Movimento Uniforme (MRU)
$$S = S_0 + vt \qquad v = \text{constante} \qquad a = 0$$
No MRU, a velocidade é constante e não há aceleração. O gráfico $S \times t$ é uma reta — a inclinação é a velocidade. O gráfico $v \times t$ é uma reta horizontal. A equação horária de posição é linear no tempo.
Movimento Uniformemente Variado (MRUV)
$$S = S_0 + v_0 t + \frac{at^2}{2} \qquad v = v_0 + at \qquad v^2 = v_0^2 + 2a\Delta S$$
No MRUV, a aceleração $a$ é constante. A equação de Torricelli $v^2 = v_0^2 + 2a\Delta S$ é a equação sem o tempo — muito útil quando $t$ não aparece no enunciado. O gráfico $v \times t$ é uma reta com inclinação $a$; o gráfico $S \times t$ é uma parábola.
Queda Livre e Método de Galileu
$$S = \frac{gt^2}{2} \qquad v = gt \qquad \text{Galileu: } \Delta S_n = (2n-1)\frac{g\tau^2}{2}$$
A queda livre é um MRUV com $v_0 = 0$ e $a = g \approx 10\,\text{m/s}^2$. O Método de Galileu mostra que os espaços percorridos em intervalos iguais de tempo seguem a proporção $1:3:5:7:\ldots$ (ímpares consecutivos). Isso é muito cobrado no ENEM e FUVEST em questões de queda com imagens estroboscópicas.
Lançamento Oblíquo
$$t_{subida} = \frac{v_0 \sin\theta}{g} \qquad h_{max} = \frac{(v_0 \sin\theta)^2}{2g} \qquad A_h = \frac{v_0^2}{g}\sin(2\theta)$$
No lançamento oblíquo, o movimento é decomposto: horizontal (MRU, $v_x = v_0\cos\theta$) e vertical (MRUV, desacelerado na subida). O alcance máximo ocorre para $\theta = 45°$. Ângulos complementares ($\theta$ e $90°-\theta$) produzem o mesmo alcance — questão clássica de FUVEST e UNESP.
Movimento Circular Uniforme (MCU)
$$\omega = \frac{2\pi}{T} = 2\pi f \qquad v = \omega R \qquad a_{CP} = \frac{v^2}{R} = \omega^2 R$$
No MCU, o módulo da velocidade é constante, mas a direção muda continuamente — por isso há aceleração centrípeta $a_{CP}$, sempre apontando para o centro. A frequência $f$ (rotações por segundo) e o período $T$ (tempo por rotação) são recíprocos: $f = 1/T$. Acoplamentos por correia: $v_A = v_B$; por eixo: $\omega_A = \omega_B$.
Dinâmica — Leis de Newton
Causas do movimento — forças e aceleração
1ª, 2ª e 3ª Leis de Newton
$$\vec{F}_R = \vec{0} \Rightarrow \vec{a} = \vec{0} \qquad \vec{F}_R = m\vec{a} \qquad \vec{F}_{AB} = -\vec{F}_{BA}$$
A 1ª Lei (inércia) diz que um corpo só muda de estado de movimento se houver força resultante não nula. A 2ª Lei quantifica: a resultante é proporcional à massa e à aceleração — quanto maior a massa, maior a inércia. A 3ª Lei (ação e reação) afirma que forças sempre aparecem em pares iguais e opostos, mas aplicados em corpos diferentes.
Força Elástica e Associação de Molas
$$F_{el} = kx \qquad \frac{1}{k_R} = \frac{1}{k_1}+\frac{1}{k_2}+\ldots \text{ (série)} \qquad k_R = k_1+k_2+\ldots \text{ (paralelo)}$$
A Lei de Hooke diz que a força elástica é proporcional à deformação $x$ e à constante de rigidez $k$ da mola. Em série, a constante equivalente é menor que a menor individual; em paralelo, é maior que a maior. Analogia direta com resistores elétricos — o que facilita para quem já domina circuitos.
Atrito e Força de Contato
$$f_{at}^{din} = \mu_{din} N \qquad 0 \leq f_{at}^{est} \leq \mu_{est} N \qquad F_C = \sqrt{N^2 + f_{at}^2}$$
O atrito estático se ajusta à força aplicada até atingir o valor máximo $\mu_{est} N$ — só depois o objeto desliza. O atrito cinético é constante em $\mu_{din} N$, com $\mu_{din} < \mu_{est}$. A força de contato é a resultante entre a normal e o atrito — o que o piso realmente exerce sobre o objeto.
Dinâmica Impulsiva
Quantidade de movimento, colisões e impulso
Quantidade de Movimento e Teorema do Impulso
$$\vec{Q} = m\vec{v} \qquad \vec{I}_R = \vec{F}_R \Delta t = \Delta \vec{Q}$$
O momento linear $\vec{Q}$ mede a "quantidade de movimento" — depende da massa e da velocidade. O Teorema do Impulso diz que o impulso (força × tempo) iguala a variação do momento linear. Isso explica por que capacetes e airbags funcionam: aumentar o $\Delta t$ reduz a força de impacto para o mesmo $\Delta Q$.
Conservação do Momento e Coeficiente de Restituição
$$\vec{F}_{ext} = \vec{0} \Rightarrow \vec{Q}_{inicial} = \vec{Q}_{final} \qquad e = \frac{v'_B - v'_A}{v_A - v_B} = \sqrt{\frac{h}{H}}$$
Em sistema isolado (sem força externa resultante), o momento total é conservado. O coeficiente de restituição $e$ mede o quanto a colisão é elástica: $e=1$ (perfeitamente elástica), $0 < e < 1$ (parcialmente inelástica), $e=0$ (perfeitamente inelástica, os objetos grudam). Para uma bola quicando: $e = \sqrt{h/H}$, onde $H$ é a altura de lançamento e $h$ é a altura do rebote.
Trabalho, Energia e Potência
Formas de energia e transformações
Trabalho e Teorema Trabalho-Energia
$$\tau_F = F \cdot d \cdot \cos\theta \qquad \tau_R = \Delta E_{cin} \qquad E_{cin} = \frac{mv^2}{2}$$
O trabalho de uma força depende do módulo da força, do deslocamento e do ângulo entre eles. Quando $\theta = 90°$, o trabalho é nulo — a força normal e a força centrípeta não realizam trabalho. O Teorema Trabalho-Energia afirma que o trabalho da resultante iguala a variação da energia cinética — é a ponte entre força e energia.
Energia Mecânica e Conservação
$$E_{mec} = E_{cin} + E_{pot} = \frac{mv^2}{2} + mgh + \frac{kx^2}{2} \qquad \tau_{não-cons} = \Delta E_{mec}$$
Na ausência de forças não conservativas (atrito, força externa), a energia mecânica total é conservada. O atrito converte energia mecânica em calor — é uma força não conservativa e seu trabalho aparece como variação de $E_{mec}$. A energia potencial elástica $kx^2/2$ é relevante em problemas com molas e oscilações.
Potência e Rendimento
$$P_{med} = \frac{\tau_F}{\Delta t} \qquad P = Fv\cos\theta \qquad P_{hid} = \eta\mu\varphi g h \qquad P_{eol} = \eta\frac{1}{2}\rho_{ar}\pi r^2 v_{ar}^3$$
Potência é a taxa de realização de trabalho. A potência eólica cresce com o cubo da velocidade do vento — dobrar a velocidade do vento multiplica a potência por 8. O limite teórico de extração de energia cinética do vento é 16/27 ≈ 59% (Limite de Betz), por isso a fórmula inclui o rendimento $\eta$.
Estática e Hidrostática
Equilíbrio de corpos e fluidos em repouso
Centro de Massa e Equilíbrio
$$x_{CM} = \frac{\sum m_i x_i}{\sum m_i} \qquad \sum\vec{F} = \vec{0} \qquad \sum\vec{M}_F = \vec{0}$$
Para um corpo rígido em equilíbrio estático, duas condições devem ser satisfeitas simultaneamente: a resultante das forças é nula (não translada) e a resultante dos torques é nula (não gira). O ponto de aplicação do torque pode ser escolhido livremente — escolha um ponto onde passem o maior número de forças desconhecidas para simplificar o cálculo.
Torque e Momento Angular
$$M_F = F \cdot d \cdot \sin\theta \qquad L = rmv$$
O torque (momento de força) mede a tendência de uma força de produzir rotação. Depende da força, do braço de alavanca $d$ e do ângulo entre eles. O momento angular $L = rmv$ é conservado quando não há torque externo resultante — explica por que uma bailarina gira mais rápido ao aproximar os braços do corpo.
Princípios de Arquimedes, Stevin e Pascal
$$E = \mu_{liq} V_{desl} g \qquad p = p_0 + \mu g h \qquad \frac{F_1}{A_1} = \frac{F_2}{A_2}$$
Arquimedes: o empuxo é igual ao peso do fluido deslocado — independe do material do objeto, apenas do volume submerso. Stevin: a pressão aumenta linearmente com a profundidade. Pascal: pressão aplicada num ponto de um fluido confinado se transmite integralmente a todos os pontos — princípio da prensa hidráulica, do freio e do macacão hidráulico.
Leis de Kepler e Gravitação
Movimentos planetários e campo gravitacional
3ª Lei de Kepler e Gravitação Universal
$$\frac{T^2}{R^3} = \frac{4\pi^2}{GM} \qquad F_G = G\frac{Mm}{d^2} \qquad g = G\frac{M}{d^2}$$
A 3ª Lei de Kepler relaciona o período orbital com o raio — válida para qualquer corpo orbitando o mesmo astro central. A Lei da Gravitação Universal de Newton mostra que a força gravitacional cai com o quadrado da distância. O campo gravitacional $g$ é a força por unidade de massa e diminui com a altitude — na superfície terrestre $g \approx 9{,}8\,\text{m/s}^2$.
Velocidade Orbital e de Escape
$$v_{orb} = \sqrt{\frac{GM}{R}} = \sqrt{Rg} \qquad v_{escape} = \sqrt{\frac{2GM}{R}} = \sqrt{2}\ v_{orb}$$
A velocidade orbital é aquela para a qual a força gravitacional fornece exatamente a força centrípeta necessária. A velocidade de escape é $\sqrt{2}$ vezes a orbital — é a velocidade mínima para um objeto deixar o campo gravitacional do astro sem propulsão adicional. Buracos negros são objetos cuja velocidade de escape supera a velocidade da luz.
Eletrostática
Cargas, campos e potencial elétrico
Lei de Coulomb e Campo Elétrico
$$F_E = K_0\frac{|Q||q|}{d^2} \qquad E = K_0\frac{|Q|}{d^2} \qquad K_0 = 9\times10^9\,\frac{\text{N·m}^2}{\text{C}^2}$$
A força elétrica entre cargas tem a mesma estrutura matemática da gravitação — proporcional às cargas e inversamente proporcional ao quadrado da distância. O campo elétrico $E$ é a força por unidade de carga de prova — descreve o ambiente elétrico independentemente da carga que vai ser colocada ali. Cargas de mesmo sinal se repelem; de sinais contrários, se atraem.
Potencial Elétrico e Trabalho
$$V = K_0\frac{Q}{d} \qquad U_{AB} = V_A - V_B = Ed \qquad \tau_{el} = q(V_{inicial} - V_{final})$$
O potencial elétrico $V$ é uma grandeza escalar — mais fácil de calcular que o campo. A diferença de potencial (ddp ou tensão) entre dois pontos determina o trabalho realizado pela força elétrica ao mover uma carga entre eles. No campo uniforme (entre placas de capacitor), $U = Ed$.
Capacitor
$$Q = CU \qquad C = \epsilon_0 \frac{A}{d} \qquad E_{cap} = \frac{QU}{2} = \frac{CU^2}{2}$$
Um capacitor armazena carga elétrica e energia. A capacitância $C$ depende da geometria: área das placas $A$ e separação $d$. Inserir um dielétrico aumenta $C$ por um fator $\kappa > 1$. Em série, a menor capacitância domina; em paralelo, as capacitâncias somam — o oposto das resistências.
Movimento Harmônico Simples
Oscilações — mola e pêndulo
Funções Horárias e Períodos
$$x(t) = A\cos(\omega t + \theta_0) \qquad T_{mola} = 2\pi\sqrt{\frac{m}{k}} \qquad T_{pêndulo} = 2\pi\sqrt{\frac{L}{g}}$$
No MHS, o objeto oscila em torno de uma posição de equilíbrio. A amplitude $A$ é o afastamento máximo. O período do sistema massa-mola depende de $m$ e $k$ — mas não da amplitude. O período do pêndulo simples depende do comprimento $L$ e da gravidade — mas não da massa nem da amplitude (para oscilações pequenas). Isso é explorado em questões de relógio de pêndulo em satélites e em diferentes planetas.
Termodinâmica e Calorimetria
Calor, temperatura, gases e máquinas térmicas
Escalas Termométricas
$$\frac{\theta_C}{5} = \frac{\theta_F - 32}{9} = \frac{T - 273}{5}$$
As três escalas mais usadas são Celsius (°C), Fahrenheit (°F) e Kelvin (K). A escala Kelvin é absoluta — não tem temperaturas negativas e é fundamental para os cálculos de gases. A conversão prática: $T(K) = \theta_C + 273$. O zero absoluto (0 K = −273 °C) é a temperatura na qual a agitação térmica cessa.
Calor Sensível e Latente
$$Q_S = mc\Delta\theta \qquad Q_L = mL \qquad \sum Q_i = 0 \text{ (sistema isolado)}$$
O calor sensível provoca variação de temperatura — depende da massa, do calor específico $c$ e da variação de temperatura. O calor latente provoca mudança de estado sem alterar a temperatura — é por isso que o gelo derrete a 0 °C sem que a temperatura aumente enquanto há gelo. Em sistema isolado termicamente, o calor total é zero: calor cedido = calor recebido.
Gases Ideais
$$pV = nRT \qquad \frac{p_1V_1}{T_1} = \frac{p_2V_2}{T_2} \qquad R = 8{,}3\,\text{J/(mol·K)}$$
A equação de estado do gás ideal relaciona pressão, volume, quantidade e temperatura. As transformações especiais: isotérmica ($T$ constante, $pV = $ cte), isobárica ($p$ constante, $V/T = $ cte) e isocórica ($V$ constante, $p/T = $ cte). Atenção: a temperatura deve estar sempre em Kelvin nos cálculos com gases.
1ª e 2ª Leis da Termodinâmica
$$\Delta U = Q - \tau \qquad \tau = p\Delta V \qquad \eta = 1 - \frac{Q_2}{Q_1} \leq 1 - \frac{T_2}{T_1} \text{ (Carnot)}$$
A 1ª Lei é a conservação de energia: o calor recebido pelo sistema se converte em aumento de energia interna ou em trabalho realizado. A 2ª Lei limita a eficiência das máquinas térmicas — nenhuma máquina real pode superar o rendimento do ciclo de Carnot entre os mesmos reservatórios. O rendimento de Carnot depende apenas das temperaturas absolutas dos reservatórios.
Ondulatória e Acústica
Ondas, som, interferência e efeito Doppler
Equação Fundamental das Ondas
$$v = \lambda f \qquad v_{som} = \sqrt{\frac{P}{\rho}} \qquad v_{luz}^{vácuo} = c \approx 3\times10^8\,\text{m/s}$$
A relação $v = \lambda f$ é universal para todas as ondas. A frequência é determinada pela fonte — não muda ao mudar de meio. O comprimento de onda muda ao mudar de meio (junto com a velocidade). A velocidade do som no ar a 20 °C é ~343 m/s; no aço, ~5000 m/s. A luz no vácuo tem velocidade constante $c$ — o postulado central da Relatividade Especial.
Ondas Estacionárias
$$\lambda_n = \frac{2L}{n} \text{ (corda/tubo aberto)} \qquad \lambda_{n_i} = \frac{4L}{n_i} \text{ (tubo fechado, } n_i \text{ ímpar)}$$
Ondas estacionárias surgem da superposição de ondas opostas. Em cordas e tubos abertos, são possíveis todos os harmônicos. Em tubos fechados, apenas os harmônicos ímpares. Isso determina o timbre dos instrumentos musicais. A flauta (tubo aberto) tem timbre diferente do clarinete (tubo fechado) mesmo tocando a mesma nota.
Nível Sonoro e Efeito Doppler
$$\beta = 10\log\left(\frac{i}{i_0}\right) \qquad f_{ap} = \frac{v_{onda} \pm v_{obs}}{v_{onda} \mp v_{fonte}} \cdot f_0$$
O nível sonoro em decibéis é logarítmico — dobrar a intensidade aumenta o nível em apenas 3 dB; multiplicar por 10 aumenta 10 dB. O Efeito Doppler explica a mudança de frequência percebida quando há movimento relativo entre fonte e observador. Regra dos sinais: no numerador, soma quando observador se aproxima; no denominador, subtrai quando fonte se aproxima.
Óptica Geométrica
Reflexão, refração, lentes e espelhos
Lei de Snell e Reflexão Total
$$n_A \sin\theta_A = n_B \sin\theta_B \qquad \sin\theta_L = \frac{n_{menor}}{n_{maior}}$$
A Lei de Snell governa a refração: ao passar para um meio mais denso opticamente (maior $n$), a luz se aproxima da normal; ao passar para um menos denso, se afasta. A reflexão total ocorre quando o raio incide de um meio mais denso para um menos denso, com ângulo maior que o ângulo limite $\theta_L$ — princípio das fibras ópticas.
Equação de Gauss e Aumento Linear
$$\frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p'} \qquad A_{trans} = -\frac{p'}{p} \qquad C = \frac{1}{f}\,\text{(dioptrias)}$$
A equação de Gauss vale para lentes e espelhos. Convenção de sinais: objeto real tem $p > 0$; imagem real tem $p' > 0$ (para espelhos) e $p' < 0$ para lentes convergentes. O aumento linear: $|A| > 1$ é ampliado; $|A| < 1$ é reduzido; $A < 0$ é invertido. A vergência $C$ em dioptrias (1/m) é somada para lentes justapostas.
Óptica da Visão
$$C_{miopia} = -\frac{1}{p_{rem}} \qquad C_{hipermetropia} = 4 - \frac{1}{p_{prox}}$$
O míope enxerga bem de perto mas não de longe — ponto remoto $p_{rem}$ menor que infinito. Usa lente divergente (vergência negativa). O hipermétrope enxerga mal de perto — ponto proximal $p_{prox}$ maior que 25 cm. Usa lente convergente. O ponto proximal normal é 25 cm (distância convencional de visão nítida).
Eletrodinâmica
Corrente, resistência, geradores e circuitos
Corrente Elétrica e Leis de Ohm
$$i = \frac{Q}{\Delta t} \qquad U_{AB} = Ri \qquad R = \rho\frac{L}{A}$$
A corrente elétrica é o fluxo de cargas por unidade de tempo. A 1ª Lei de Ohm diz que a tensão é proporcional à corrente para resistores ôhmicos. A 2ª Lei de Ohm relaciona a resistência com a geometria do condutor e a resistividade do material $\rho$ — resistividade aumenta com temperatura para metais.
Potência e Associação de Resistores
$$P = Ui = \frac{U^2}{R} = Ri^2 \qquad R_R = R_1+R_2+\ldots \text{ (série)} \qquad \frac{1}{R_R} = \frac{1}{R_1}+\frac{1}{R_2}+\ldots \text{ (paralelo)}$$
Em série, a corrente é igual em todos os resistores; a tensão divide. Em paralelo, a tensão é igual; a corrente divide. Em paralelo, a resistência equivalente é sempre menor que o menor resistor. A associação de resistores em paralelo é como as lâmpadas domésticas — se uma queima, as outras continuam acesas.
Gerador Real e Leis de Kirchhoff
$$U_{AB} = \varepsilon - ri \qquad \eta = \frac{U_{AB}}{\varepsilon} \qquad \Sigma i = 0 \text{ (nó)} \qquad \Sigma U = 0 \text{ (malha)}$$
Todo gerador real tem uma resistência interna $r$ que dissipa energia. Quando o circuito externo tem resistência zero (curto-circuito), toda a força eletromotriz $\varepsilon$ cai na resistência interna. A 1ª Lei de Kirchhoff (nós): a soma das correntes que entram iguala as que saem. A 2ª Lei (malhas): a soma das tensões em qualquer malha fechada é zero.
Magnetismo e Eletromagnetismo
Campo magnético, indução e transformadores
Campo Magnético e Força Magnética
$$B_{fio} = \frac{\mu_0 i}{2\pi d} \qquad F_{MAG} = |q|vB\sin\theta \qquad F_{MAG} = iLB\sin\theta$$
Um fio percorrido por corrente gera campo magnético circular ao seu redor. A força magnética sobre uma carga em movimento é perpendicular à velocidade e ao campo — por isso não realiza trabalho, apenas curva a trajetória. Em motores elétricos, a força sobre um condutor percorrido por corrente dentro de um campo magnético gera rotação.
Indução Eletromagnética e Transformador
$$\varepsilon_{ind} = -\frac{\Delta\phi_{mag}}{\Delta t} = BLv \qquad \frac{U_p}{N_p} = \frac{U_s}{N_s} \qquad P_p = P_s$$
A Lei de Faraday diz que a variação do fluxo magnético induz uma força eletromotriz. A Lei de Lenz (sinal negativo) determina o sentido: a corrente induzida se opõe à variação que a causou — é a "inércia magnética". O transformador ideal transfere potência integralmente: aumentar tensão implica diminuir corrente proporcionalmente.
Radioatividade
Decaimentos, meia-vida e leis de Soddy
Emissões Alpha e Beta — Leis de Soddy
$${}^A_Z X \rightarrow {}^4_2\alpha + {}^{A-4}_{Z-2} Y \qquad {}^A_Z X \rightarrow {}^0_{-1}\beta + {}^A_{Z+1} Y$$
Na emissão alfa, o núcleo perde 4 de massa e 2 de número atômico — é o decaimento mais ionizante mas menos penetrante (bloqueado por papel). Na emissão beta, um nêutron se converte em próton emitindo elétron (β⁻) — o número de massa não muda, mas o atômico aumenta em 1. A emissão gama não altera nem massa nem número atômico — é pura energia eletromagnética.
Meia-Vida e Decaimento Exponencial
$$N(t) = N_0 e^{-\lambda t} \qquad m_n = \frac{m_0}{2^n} \qquad t_{1/2} = \frac{\ln 2}{\lambda}$$
A meia-vida $t_{1/2}$ é o tempo para metade dos núcleos decair. Após $n$ meias-vidas, resta $m_0/2^n$ da amostra. É um processo probabilístico — nunca chega a zero exatamente. A meia-vida varia de frações de segundo (núcleos instáveis) a bilhões de anos (urânio-238: 4,5 bilhões de anos — base para datação radiométrica geológica). No ENEM, aparecem muito em contexto de medicina nuclear e datação por carbono-14.
Física Moderna
Fótons, Bohr, De Broglie e Relatividade
Efeito Fotoelétrico e Energia do Fóton
$$E_{fóton} = hf \qquad E_{cin}^{elétron} = hf - W \qquad h = 6{,}63\times10^{-34}\,\text{J·s}$$
Einstein explicou o efeito fotoelétrico propondo que a luz é quantizada em pacotes de energia — os fótons. A função trabalho $W$ é a energia mínima para arrancar um elétron do material. Se $hf < W$, não há emissão, independente da intensidade da luz — foi isso que provou a natureza quântica da radiação. Células fotovoltaicas operam neste princípio.
Modelo de Bohr e Níveis de Energia
$$E_n = \frac{-13{,}6}{n^2}\,\text{eV} \qquad E_{fóton} = |E_{inicial} - E_{final}| = hf \qquad r_n = n^2 \cdot 0{,}53\times10^{-10}\,\text{m}$$
No modelo de Bohr, o elétron ocupa órbitas estacionárias com energias bem definidas. A emissão de luz ocorre quando o elétron cai de um nível mais alto para um mais baixo — a energia do fóton emitido é exatamente a diferença de energia entre os níveis. Isso explica os espectros discretos dos elementos — cada elemento tem sua "impressão digital" espectral.
Relatividade Restrita e Equivalência Massa-Energia
$$E = |\Delta m|c^2 \qquad \Delta t' = \frac{\Delta t}{\sqrt{1-v^2/c^2}} \qquad L' = L\sqrt{1-v^2/c^2}$$
A equação $E = mc^2$ de Einstein é a mais famosa da física — relaciona massa e energia como duas faces da mesma moeda. A dilatação temporal: relógios em movimento correm mais devagar para o observador externo — GPS precisa corrigir esse efeito. A contração espacial: comprimentos no sentido do movimento aparecem contraídos. Esses efeitos são detectáveis apenas próximos à velocidade da luz.
Tabela de Constantes
Valores fundamentais utilizados nos vestibulares
Constantes Físicas Fundamentais
| Constante | Valor | Símbolo / Descrição |
|---|---|---|
| Aceleração da gravidade | 9,8 m/s² ≈ 10 m/s² | $g$ — superfície terrestre |
| Constante Gravitacional | 6,67 × 10⁻¹¹ N·m²/kg² | $G$ |
| Velocidade da luz (vácuo) | 3,00 × 10⁸ m/s | $c$ |
| Constante de Planck | 6,63 × 10⁻³⁴ J·s | $h$ |
| Carga elementar | 1,6 × 10⁻¹⁹ C | $e$ |
| Massa do elétron | 9,11 × 10⁻³¹ kg | $m_e$ |
| Massa do próton | 1,67 × 10⁻²⁷ kg | $m_p$ |
| Constante eletrostática | 9,0 × 10⁹ N·m²/C² | $K_0 = 1/(4\pi\varepsilon_0)$ |
| Permeabilidade magnética (vácuo) | 4π × 10⁻⁷ T·m/A | $\mu_0$ |
| Constante universal dos gases | 8,3 J/(mol·K) | $R$ |
| Número de Avogadro | 6,02 × 10²³ mol⁻¹ | $N_A$ |
| Massa da Terra | 6,0 × 10²⁴ kg | $M_T$ |
| Raio da Terra | 6,4 × 10⁶ m | $R_T$ |
| Dist. média Terra–Sol | 1,5 × 10¹¹ m = 1 u.a. | |
| Energia do estado fundamental — H | −13,6 eV | $E_1$ |
| Raio de Bohr | 0,53 × 10⁻¹⁰ m | $a_1$ |
| Constante de Stefan-Boltzmann | 5,67 × 10⁻⁸ W/(m²·K⁴) | $\sigma$ |
Conversão de Unidades
Conversões essenciais para os vestibulares
Conversões Mais Cobradas
| Grandeza | Conversão |
|---|---|
| Velocidade | $1{,}0\,\text{m/s} = 3{,}6\,\text{km/h}$ |
| Energia | $1\,\text{cal} = 4{,}18\,\text{J} \approx 4{,}2\,\text{J}$ |
| Energia | $1\,\text{eV} = 1{,}6\times10^{-19}\,\text{J}$ |
| Energia | $1\,\text{Wh} = 3{,}6\times10^3\,\text{J}$ |
| Potência | $1\,\text{CV} = 735\,\text{W} \approx 750\,\text{W}$ |
| Pressão | $1\,\text{atm} = 0{,}76\,\text{mHg} = 10\,\text{mH}_2\text{O} = 1{,}01\times10^5\,\text{Pa}$ |
| Temperatura | $T(\text{K}) = \theta_C + 273$ |
| Carga | $1\,\text{Ah} = 3{,}6\times10^3\,\text{C}$ |
| Distância | $1\,\text{ano-luz} = 9{,}46\times10^{15}\,\text{m}$ |
Fórmulas Matemáticas
Trigonometria, funções e sequências
Tabela Trigonométrica
| θ | sen θ | cos θ | tg θ |
|---|---|---|---|
| 0° | 0 | 1 | 0 |
| 30° | 1/2 = 0,5 | √3/2 ≈ 0,87 | √3/3 ≈ 0,58 |
| ≈37° | 3/5 = 0,6 | 4/5 = 0,8 | 3/4 = 0,75 |
| 45° | √2/2 ≈ 0,71 | √2/2 ≈ 0,71 | 1 |
| ≈53° | 4/5 = 0,8 | 3/5 = 0,6 | 4/3 ≈ 1,33 |
| 60° | √3/2 ≈ 0,87 | 1/2 = 0,5 | √3 ≈ 1,73 |
| 90° | 1 | 0 | — |
Dica: Os ângulos 37° e 53° são complementares e formam o triângulo 3-4-5. São os mais usados em lançamento oblíquo, plano inclinado e óptica nos vestibulares paulistas.
Identidades e Adição de Arcos
$$\sin^2\theta + \cos^2\theta = 1 \qquad \sin(\alpha\pm\beta) = \sin\alpha\cos\beta \pm \cos\alpha\sin\beta$$
$$\cos(\alpha\pm\beta) = \cos\alpha\cos\beta \mp \sin\alpha\sin\beta$$
A relação fundamental $\sin^2\theta + \cos^2\theta = 1$ é derivada do Teorema de Pitágoras no círculo unitário — é a identidade mais usada para simplificação em física. As fórmulas de adição de arcos são necessárias em problemas de interferência, batimento e análise de componentes vetoriais em ângulos não tabelados.
Bhaskara e Progressões
$$x = \frac{-b \pm \sqrt{b^2 - 4ac}}{2a} \qquad a_n = a_1 + (n-1)r \text{ (PA)} \qquad a_n = a_1 q^{n-1} \text{ (PG)}$$
A fórmula de Bhaskara resolve equações do 2° grau — aparece em cinemática (MRUV com posição inicial), óptica (equação de Gauss) e eletrodinâmica. A progressão aritmética descreve espaços no MRUV; a geométrica descreve decaimento radioativo e descarga de capacitor.
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O mesmo material da turma intensiva — 15 páginas, 305 equações, constantes e fórmulas matemáticas. Elaborado pelo Prof. Edson Mosman.
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